
As pessoas atualmente têm uma visão errônea de individualidade. Coisa que cada um tem a sua. Acham que você é um FSM para comentarem, analisarem e discutirem. A conclusão disso tudo, basta. E isso é você. Porém, as pessoas não te conhecem o suficiente para saberem que você gosta de fechar os olhos quando está dentro do carro e se imaginar numa montanha russa numa montanha no Nepal, que gosta de olhar para a lua ou passar horas contempando as ondas ou o pôr-do-sol. Gosta do toque da água na sua pele, dela penetrando sua camiseta, o cheiro e o som da chuva batendo nas folhas, o chão ficando fofo debaixo dos seus pés. Gosta de imaginar-se num livro, naquelas histórias de Robin Hood, amores medievais. Você é tudo o que é, todos os livros que leu, as gírias que usava, os brinquedos que brincou. Você é seu primeiro amor, os segredos guardados, a juras de amor trocadas, a noite em branco na praia. Você é seu primeiro beijo, sua primeira vez, seu primeiro porre. Seus amigos, inimigos, colegas, professores. É sua praia preferida, é o amor atordoado que viveu, a conversa séria com seu pai, o carinho de sua mãe, sua infância nostálgica, a dor do arrependimento, de não ter falado na hora, de não ter dado certo. A emoção de um trecho de livro, uma cena que te arrancou lágrimas, um fazer nada com seus amigos, vc é o que você chora, o que você ri. É o abraço inesperado, a força dada aos seus amigos e a gratidão de um sorriso. Você é muito mais, muito menos. É a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, os pedaços que junta. O orgasmo, a gargalhada, o beijo, vc é o que vc desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, o desapontamento com o sistema, o ódio que tudo isso dá.
Você é o que ninguém vê. É você.
Maria Eduarda Gimenes
