quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vento bateu
Fechou a janela do quarto, sucinto.
A chuva incessante, seu barulho no vidro.
Gota por gota, sentia no peito.
O barulho que fazia nostagiou-me
O cheiro da chuva gelada no ambiente vazio onde estava
Eu na cama escrevia com gotas de imaginação
Gotas das lembranças, dos sonhos, do pra sempre tão finito.
A caneta dançava na minha mão
Bailava horizontal, no ritmo da chuva
Tinha como par a minha imaginação
Sem boas rimas, sem métrica, no meu caderno cor-de-uva
No baile poético que seguia e sugava meu desejo
Com frio, lembrei-me do beijo
Do menino, meu menino, não-tão-menino
Que me viu crescer, tirou-me a meninice, viu a amásia florescer.
Naquela alvorada matinal, com o orvalho das manhãs
A chuva cessava e eu não parava de pensar no amanhã.
No verão quente, no passado recente, na moto pela estrada veloz, do beijo algoz, do menino.
Meu menino não-tão-menino.
Da transformação da vontade, em verdade, em saudade.

Maria Eduarda Gimenes

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