quinta-feira, 19 de março de 2009

Com tanta mulher incrível no mundo, quase ainda bem que eu sou comum. Não sou um mistério, não crio enigmas pra ninguém, diria eu, que sou um quebra-cabeça de nível fácil; daquele tipo que a gente dá em aniversário de dois anos com as peças bem grandes pra ninguém meter na boca.

Olha, ainda bem que eu sou comum. Mistério, conquista e jogos, essas brincadeiras com fogo que mulher faz - deus me livre! Meu maior mérito está na constante banalidadezinha medíocre do meu ser. Já imaginou que horror seria se eu fosse única? Se eu entrasse na vida das pessoas, bagunçasse tudo e depois dissesse, jogando os braços pra cima: "Fui!" ? Não,não, eu não.
Eu tenho orgulho de ser a parede creme da sala de estar. Aliás, sala de "ser" por que estar é coisa de gente inconstante, que muda. Aquelas pessoas inacreditáveis com mentalidades geniais que não conseguem gostar da mesma coisa por mais de meia hora.

Tem tanta mulher especial no mundo; mal humor, sensualidade, provocação, apelação, possessão. Manha, manhã, três da noite, quatro da tarde, dois cafés, meia noite, uma dose de rum. Tem mulher rock bem alto, mulher ballet, mulher lágrima. Melancolia, histeria, bom dia, já fui embora, mil cores no cabelo. Mulher música, mulher renda, mulher moda, mulher mil mulher, mulher forte, mulher macho, mulher fêmea, mulher mãe,mulher má. Tanta mulher incrível, tanta mulher igual.

Ainda bem que eu sou comum; do tipo homo sapiens.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elisa Lucinda, nossa conterrânea capixaba e vizinha em Itaúnas, um dia escreveu:

Todo capixaba tem um segredo de espuma
Uma conversa de duna
Um disse me disse
Todo capixaba é chique
Todo capixaba tem um pouco de beija flor no bico
Uma panela de barro no peito
Uma orquídea no gesto
Um cafezinho no jeito
Um trocadilho na brincadeira
Um congo no andar
Um jogo de cintura
Um chá de cidreira
Uma moqueca perfeita
E uma rede no olhar
Todo mundo de lá desenha nas areias brancas
Compõe nas areias pretas
Todo capixaba tem um verso
Tem um pouco de Anchieta
Todo povo por lá
Tem um certo louco
Tem um certo torto
Uma palavra solta
Uma revoada de colibris
Todo capixaba tem uma força de povo
Tem um pouco de Maria Ortiz.
Toda montanha lá tem um caso
Obstinado com o vento
Uma pedra azul
Um albatroz de convento
De luva e biquini é que eu vou pra lá
Todo capixaba é um evento!!!

sábado, 7 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Parte I

Parte I
Na casa de veraneio, as tardes passavam num flash.
Um feixe de luz adentrava a janela, contrastando com a escuridão das cortinas de seda.
O brilho do sol flagrava a pele branca da menina, que dormia com o vestido marcando suas formas e revelando seus enrijecidos seios que levemente saltavam do tecido.
A menina tinha longos cabelos claros e cheios, um olhar profundo, a recende perda da inocência revelada.
A menina banhava-se iluminada pela luz do sol, acariciava os seios e ria brincando com os mesmos, que endureciam nessa brincadeira inocente.
Nesse flash da tarde, na mistura de sentidos, o cheiro de lavanda com gosto de framboesa fresca do jardim, a menina dançava. Dançava como uma borboleta, deixando o vento revelar suas pernas em ligeiros movimentos que fazia com o vestido.
Mulher renascentista, romântica, mulher ou menina. Ao certo não se sabe. Na sua pele alva, ressaltam as veias azuizinhas, sua pele lisa, seu cheiro adocicado.
O menino não se aguentava, saia do sério, homem, macho, alfa. Seus instintos pediam, imploravam. Queria o corpo da menina junto ao seu. A pele branca de macia textura perdendo-se em seus pêlos e músculos.
A fragilidade mediante ao desejo absoluto...
Continua...

E eu vi o ônibus partir
O gosto do café recém tomado
As lembranças do dia anterior
Tudo estava diferente
A cadeira vazia
O barulho nenhum
A lágrima que escorria
O sete pelo um
O violão silenciado
Sua voz lá de longe
O mate, o espresso
o pseudo fim, confesso.
Eu, comigo, saudade do amigo
Uma glória, herói
Que obteve a vitória
Mas deixou Vitória
E partiu para Niterói
Saudades.
De Maria Eduarda para Denis Coelho