terça-feira, 7 de abril de 2009

Maria Eduarda

Não tenho a prepotência de Pessoa, mas nunca verei talento igual. Não tenho a perspicácia de Che nem o conflito de Goethe. Sou menos guerreira e realista que Machado e gosto menos de álcoo que Álvares de Azevedo. Leio Fausto, em Viena, na cama. Causo menos que Byron, mas também peco menos. Defendo oprimidos, como Castro Alves e penso que contrariando chegamis mais fácil a uma verdade, como acreditava Sócrates e seu fiel Platão. Acredito no orgasmo, na utopia de Morus (em alguns aspectos), e no pansexualismo. Não, não sou pansexual. Mas não tenho preconceitos. Os meus heróis e os de Cazuza morream de overdose. De AIDS também.
Sou Sheakspeare da minha vida. Soberana. Tenho poder sobre meu roteiro, vestuário e trilha sonora. A qual seria um mix de Piaf, Vinicius e Gogol Bordello. A minha vida permite ensaios, Chaplin. A minha vida traduz meu id, ego e superego. Até meu alterego. Que numa hora dessas está dançando tango num clube argentino ou se misturando nos pêlos de um irlandês num pub em Dublin.
Sou uma boa oferta, um bom negócio, o melhor doce de biscoito. Sou o meu umbigo, o do outro também. Sou Amélie numa rua francesa ouvindo o cair de uma gota numa planta. Sou Janis fazendo caras e bocas numa viagem alucinante. Ou Marisa Monte numa paz bucólica com seu violão. Sou a dúvida de Hamlet, a ousadia de Marylin, a modéstia de Pelé. E a ironia de Veríssimo.
Mas não sou muita coisa, nunca serei. Nem posso. Se Pessoa não podia, pudera eu ser. Se Sócrates só sabia que nada sabia, o que posso eu saber?
Sou uma trama de Almodóvar, a excentricidade de uma personagem de Allen e o paradoxo de um filme noir com cores de Frida Kahlo. Uma música dos Los Hermanos numa tarde vazia, Manu Chao na praia com amigos e forró no chão de terra em Itaúnas. Quero Born to be Wild a 120km/h numa estrada na Europa Oriental. Frank Sinatra com uma boa companhia e assistir D. Coerleone com as melhores, whisky e charuto.
Sou muito. Sou pouco. Quero muito. Não sei nada. Sou um conflito barroco com ideais socialista numa realidade neoliberal. E no fim, continuo como Camões, desgostosa da sociedade atual. Mas não reclamo. Reclamar é fácil. E facilidade não é comigo.

Um comentário:

Gustavo Lopes disse...

Posso confessar uma coisa?!
Eu tenho um certo preconceito com as coisas que você escreve.