sexta-feira, 22 de maio de 2009


Fazer do meio um lugar propício para se viver, longe das impetuosas demonstrações de violência, não é tarefa tomada a sério. No século XIX, Manuel Antonio de Almeida evidenciava, em Memórias de um sargento de milícias, as características arquetípicas de tais personagens da sociedade atual, a polícia.

A corrupção policial chegou a extremos que torna-se complicado verificar e qualificar quem é bandido. Há, nas peculiaridades desse meio, uma espécia de Movimento Dialético, que oscila, segundo Marx, entre a ordem e a desordem, Isto é, a relativização do bem e do mal em uma sociedade onde o certo e o errado são separados por uma linha tênue.

Quem é bandido, se os dois lados, polícia e ladrão, matam, roubam e corrompem o meio? Os membros da ordem policial protegem quem pode oferecer algo para seu benefício. Don Corleone matava e permanecia impune, enquanto Capitão McCluskey enriquecia. Al Capone demorou a ser pego e mesmo assim uma mísera parte de seus crimes foi a julgamento.

A visão de coletividade, hoje, supera o individualismo, quando ocriminoso é identificado por sua profissão, renda e benefícios a oferecer e não pelo seu crime, seu nome, seu caráter.

A sociedade caminha na busca pelo caminho do meio de Sócrates, do equilíbrio e da compensação. Mas o que antes era sinônimo de proteção tornou-se perigo dobrado e a falta de caráter transformou a polícia em anti-herói, com todas as características que os mesmos tem a função de combater.

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