quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vento bateu
Fechou a janela do quarto, sucinto.
A chuva incessante, seu barulho no vidro.
Gota por gota, sentia no peito.
O barulho que fazia nostagiou-me
O cheiro da chuva gelada no ambiente vazio onde estava
Eu na cama escrevia com gotas de imaginação
Gotas das lembranças, dos sonhos, do pra sempre tão finito.
A caneta dançava na minha mão
Bailava horizontal, no ritmo da chuva
Tinha como par a minha imaginação
Sem boas rimas, sem métrica, no meu caderno cor-de-uva
No baile poético que seguia e sugava meu desejo
Com frio, lembrei-me do beijo
Do menino, meu menino, não-tão-menino
Que me viu crescer, tirou-me a meninice, viu a amásia florescer.
Naquela alvorada matinal, com o orvalho das manhãs
A chuva cessava e eu não parava de pensar no amanhã.
No verão quente, no passado recente, na moto pela estrada veloz, do beijo algoz, do menino.
Meu menino não-tão-menino.
Da transformação da vontade, em verdade, em saudade.

Maria Eduarda Gimenes

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

e aos trancos e barrancos lá vou eu...
de longe eu sinto, sentia.
do meu preterito perfeito ao imperfeito,
futuro do preterito e futuro, si só.

a constante é vc,
mexe com meu id, ego, alter ego.
viro narcisista, gabo-me.

escrevo haicais, poesias, cartas, dissertações.
a constante é vc.
cartesiano, não. perfumes, gestos, emoções.

vc é meu oito, não o oitenta.
vc é meu extremo, minha vontade.
oito, na horizontal, infinito. minha verdade.

de longe eu sinto, admito, falhei.
mas erros são humanos, constantes, planos. é empírico.
como desta poesia, o eu-lírico.

mas o que dizer da saudade.
do que nunca tive, do incerto. passado, futuro, presente.
desisto, admito. nao te quero mais ausente.

Maria Eduarda C. Gimenes

ao P.