quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Você só pode ser estudante de humanas, cinéfila, torcedora do Botafogo ou comunista. Adora "Cinema Falado" do Caetano Veloso e de vez em quando escorrega frequentando os cafés perto de cinema onde alguns fingem pra si próprios que estão na Europa, mesmo estando em um calor de 40º no Brasil. Mas no fundo você é vanguardista e está a frente do seu tempo.Só pode gostar de Goethe, Kant, Marx, Foucault e Proust. Mas também não deve resistir a uma crônica de Veríssimo ou a uma poesia de Martha Medeiros ou Fernando Pessoa. Aposto que você acorda com jazz, dorme com blues, agarra o folk, nostalgia-se com o rock e vive uma bossa nova. Sempre resgatando a música latina.Deve ser quem grita ''toca raul'' nas festas, abraça o amigo que tem saudades e vê uma esperança no sorriso das crianças. Enfim, mais expressionista, sinestésica, filosófica e marginal. Na ong que é voluntária, na escola particular, nas visitas à universidade que se tornaram seu hobby predileto ou no sentar no bar com os amigos e pedir uma bière... É você.
Ou eu.



http://paradoxoperfeito.wordpress.com/

sexta-feira, 22 de maio de 2009


Fazer do meio um lugar propício para se viver, longe das impetuosas demonstrações de violência, não é tarefa tomada a sério. No século XIX, Manuel Antonio de Almeida evidenciava, em Memórias de um sargento de milícias, as características arquetípicas de tais personagens da sociedade atual, a polícia.

A corrupção policial chegou a extremos que torna-se complicado verificar e qualificar quem é bandido. Há, nas peculiaridades desse meio, uma espécia de Movimento Dialético, que oscila, segundo Marx, entre a ordem e a desordem, Isto é, a relativização do bem e do mal em uma sociedade onde o certo e o errado são separados por uma linha tênue.

Quem é bandido, se os dois lados, polícia e ladrão, matam, roubam e corrompem o meio? Os membros da ordem policial protegem quem pode oferecer algo para seu benefício. Don Corleone matava e permanecia impune, enquanto Capitão McCluskey enriquecia. Al Capone demorou a ser pego e mesmo assim uma mísera parte de seus crimes foi a julgamento.

A visão de coletividade, hoje, supera o individualismo, quando ocriminoso é identificado por sua profissão, renda e benefícios a oferecer e não pelo seu crime, seu nome, seu caráter.

A sociedade caminha na busca pelo caminho do meio de Sócrates, do equilíbrio e da compensação. Mas o que antes era sinônimo de proteção tornou-se perigo dobrado e a falta de caráter transformou a polícia em anti-herói, com todas as características que os mesmos tem a função de combater.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

As linhas que escrevo
Não percebo
E nem dom corleone
Nem al capone
Me impõem medo.

Literatura para uns se foi
Aonde?
Não se tira da noiva o véu,
Da abelha o mel
Do condado o conde

Enfermos, cansados
Macabro, sombroso
Órfãos, spleen
No coração um corte
No sonho a morte,
a noite sem fim.

Assim, o véu da literatura volta
E de volta ao sepulcro, ao esmo
Presságios calabreados ela solta...
E engana o amante enfermo.

A nostalgia de tempos ufanosos
Dos salões de ouro a poeira do sebo!
Sem repúdio aos corações revoltosos
e a ti, leitor, minha literatura concebo...


Maria Eduarda Gimenes*



*crédito ao Pedro Cavedoni por grande inspiração nas duas últimas estrofes.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Maria Eduarda

Não tenho a prepotência de Pessoa, mas nunca verei talento igual. Não tenho a perspicácia de Che nem o conflito de Goethe. Sou menos guerreira e realista que Machado e gosto menos de álcoo que Álvares de Azevedo. Leio Fausto, em Viena, na cama. Causo menos que Byron, mas também peco menos. Defendo oprimidos, como Castro Alves e penso que contrariando chegamis mais fácil a uma verdade, como acreditava Sócrates e seu fiel Platão. Acredito no orgasmo, na utopia de Morus (em alguns aspectos), e no pansexualismo. Não, não sou pansexual. Mas não tenho preconceitos. Os meus heróis e os de Cazuza morream de overdose. De AIDS também.
Sou Sheakspeare da minha vida. Soberana. Tenho poder sobre meu roteiro, vestuário e trilha sonora. A qual seria um mix de Piaf, Vinicius e Gogol Bordello. A minha vida permite ensaios, Chaplin. A minha vida traduz meu id, ego e superego. Até meu alterego. Que numa hora dessas está dançando tango num clube argentino ou se misturando nos pêlos de um irlandês num pub em Dublin.
Sou uma boa oferta, um bom negócio, o melhor doce de biscoito. Sou o meu umbigo, o do outro também. Sou Amélie numa rua francesa ouvindo o cair de uma gota numa planta. Sou Janis fazendo caras e bocas numa viagem alucinante. Ou Marisa Monte numa paz bucólica com seu violão. Sou a dúvida de Hamlet, a ousadia de Marylin, a modéstia de Pelé. E a ironia de Veríssimo.
Mas não sou muita coisa, nunca serei. Nem posso. Se Pessoa não podia, pudera eu ser. Se Sócrates só sabia que nada sabia, o que posso eu saber?
Sou uma trama de Almodóvar, a excentricidade de uma personagem de Allen e o paradoxo de um filme noir com cores de Frida Kahlo. Uma música dos Los Hermanos numa tarde vazia, Manu Chao na praia com amigos e forró no chão de terra em Itaúnas. Quero Born to be Wild a 120km/h numa estrada na Europa Oriental. Frank Sinatra com uma boa companhia e assistir D. Coerleone com as melhores, whisky e charuto.
Sou muito. Sou pouco. Quero muito. Não sei nada. Sou um conflito barroco com ideais socialista numa realidade neoliberal. E no fim, continuo como Camões, desgostosa da sociedade atual. Mas não reclamo. Reclamar é fácil. E facilidade não é comigo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Com tanta mulher incrível no mundo, quase ainda bem que eu sou comum. Não sou um mistério, não crio enigmas pra ninguém, diria eu, que sou um quebra-cabeça de nível fácil; daquele tipo que a gente dá em aniversário de dois anos com as peças bem grandes pra ninguém meter na boca.

Olha, ainda bem que eu sou comum. Mistério, conquista e jogos, essas brincadeiras com fogo que mulher faz - deus me livre! Meu maior mérito está na constante banalidadezinha medíocre do meu ser. Já imaginou que horror seria se eu fosse única? Se eu entrasse na vida das pessoas, bagunçasse tudo e depois dissesse, jogando os braços pra cima: "Fui!" ? Não,não, eu não.
Eu tenho orgulho de ser a parede creme da sala de estar. Aliás, sala de "ser" por que estar é coisa de gente inconstante, que muda. Aquelas pessoas inacreditáveis com mentalidades geniais que não conseguem gostar da mesma coisa por mais de meia hora.

Tem tanta mulher especial no mundo; mal humor, sensualidade, provocação, apelação, possessão. Manha, manhã, três da noite, quatro da tarde, dois cafés, meia noite, uma dose de rum. Tem mulher rock bem alto, mulher ballet, mulher lágrima. Melancolia, histeria, bom dia, já fui embora, mil cores no cabelo. Mulher música, mulher renda, mulher moda, mulher mil mulher, mulher forte, mulher macho, mulher fêmea, mulher mãe,mulher má. Tanta mulher incrível, tanta mulher igual.

Ainda bem que eu sou comum; do tipo homo sapiens.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elisa Lucinda, nossa conterrânea capixaba e vizinha em Itaúnas, um dia escreveu:

Todo capixaba tem um segredo de espuma
Uma conversa de duna
Um disse me disse
Todo capixaba é chique
Todo capixaba tem um pouco de beija flor no bico
Uma panela de barro no peito
Uma orquídea no gesto
Um cafezinho no jeito
Um trocadilho na brincadeira
Um congo no andar
Um jogo de cintura
Um chá de cidreira
Uma moqueca perfeita
E uma rede no olhar
Todo mundo de lá desenha nas areias brancas
Compõe nas areias pretas
Todo capixaba tem um verso
Tem um pouco de Anchieta
Todo povo por lá
Tem um certo louco
Tem um certo torto
Uma palavra solta
Uma revoada de colibris
Todo capixaba tem uma força de povo
Tem um pouco de Maria Ortiz.
Toda montanha lá tem um caso
Obstinado com o vento
Uma pedra azul
Um albatroz de convento
De luva e biquini é que eu vou pra lá
Todo capixaba é um evento!!!

sábado, 7 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Parte I

Parte I
Na casa de veraneio, as tardes passavam num flash.
Um feixe de luz adentrava a janela, contrastando com a escuridão das cortinas de seda.
O brilho do sol flagrava a pele branca da menina, que dormia com o vestido marcando suas formas e revelando seus enrijecidos seios que levemente saltavam do tecido.
A menina tinha longos cabelos claros e cheios, um olhar profundo, a recende perda da inocência revelada.
A menina banhava-se iluminada pela luz do sol, acariciava os seios e ria brincando com os mesmos, que endureciam nessa brincadeira inocente.
Nesse flash da tarde, na mistura de sentidos, o cheiro de lavanda com gosto de framboesa fresca do jardim, a menina dançava. Dançava como uma borboleta, deixando o vento revelar suas pernas em ligeiros movimentos que fazia com o vestido.
Mulher renascentista, romântica, mulher ou menina. Ao certo não se sabe. Na sua pele alva, ressaltam as veias azuizinhas, sua pele lisa, seu cheiro adocicado.
O menino não se aguentava, saia do sério, homem, macho, alfa. Seus instintos pediam, imploravam. Queria o corpo da menina junto ao seu. A pele branca de macia textura perdendo-se em seus pêlos e músculos.
A fragilidade mediante ao desejo absoluto...
Continua...

E eu vi o ônibus partir
O gosto do café recém tomado
As lembranças do dia anterior
Tudo estava diferente
A cadeira vazia
O barulho nenhum
A lágrima que escorria
O sete pelo um
O violão silenciado
Sua voz lá de longe
O mate, o espresso
o pseudo fim, confesso.
Eu, comigo, saudade do amigo
Uma glória, herói
Que obteve a vitória
Mas deixou Vitória
E partiu para Niterói
Saudades.
De Maria Eduarda para Denis Coelho

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vento bateu
Fechou a janela do quarto, sucinto.
A chuva incessante, seu barulho no vidro.
Gota por gota, sentia no peito.
O barulho que fazia nostagiou-me
O cheiro da chuva gelada no ambiente vazio onde estava
Eu na cama escrevia com gotas de imaginação
Gotas das lembranças, dos sonhos, do pra sempre tão finito.
A caneta dançava na minha mão
Bailava horizontal, no ritmo da chuva
Tinha como par a minha imaginação
Sem boas rimas, sem métrica, no meu caderno cor-de-uva
No baile poético que seguia e sugava meu desejo
Com frio, lembrei-me do beijo
Do menino, meu menino, não-tão-menino
Que me viu crescer, tirou-me a meninice, viu a amásia florescer.
Naquela alvorada matinal, com o orvalho das manhãs
A chuva cessava e eu não parava de pensar no amanhã.
No verão quente, no passado recente, na moto pela estrada veloz, do beijo algoz, do menino.
Meu menino não-tão-menino.
Da transformação da vontade, em verdade, em saudade.

Maria Eduarda Gimenes

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

e aos trancos e barrancos lá vou eu...
de longe eu sinto, sentia.
do meu preterito perfeito ao imperfeito,
futuro do preterito e futuro, si só.

a constante é vc,
mexe com meu id, ego, alter ego.
viro narcisista, gabo-me.

escrevo haicais, poesias, cartas, dissertações.
a constante é vc.
cartesiano, não. perfumes, gestos, emoções.

vc é meu oito, não o oitenta.
vc é meu extremo, minha vontade.
oito, na horizontal, infinito. minha verdade.

de longe eu sinto, admito, falhei.
mas erros são humanos, constantes, planos. é empírico.
como desta poesia, o eu-lírico.

mas o que dizer da saudade.
do que nunca tive, do incerto. passado, futuro, presente.
desisto, admito. nao te quero mais ausente.

Maria Eduarda C. Gimenes

ao P.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

toda a minha vontade, minha saudade

meus desejos de menina no pé de carambola no quintal

nas tardes quentes e do banho de magueira, gelatina de morango, chicotinho queimado

seus cabelos brancos, seu sorriso confortante

vc se foi e me deixou, me deixou sozinha, chorando na janela

foi-se contigo uma parte do meu coração, as minhas melhores memórias, e ficou um sentimento saudoso

saudade

a saudade da menina, a saudade do vovô

te amo do umbigo, te amo sem fim.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Sou chata!


Sou nova, mas já aguentei problemas que pessoas com o triplo da minha idade não sonharam em ter.


Falo inglês e francês, já morei na Suíça, visitei a França, os EUA, e poucos países sulamericanos, mas antes disso rodei as cinco regiões brasileiras.


Sou voluntária da ONG de apoio a crianças carentes Nossa Senhora das Graças e da ONG de promoção da paz mundial por meio de intercâmbios culturais, AFS.


Prefiro ouvir Manu Chao, Beatles, Los Hermanos, Chico Buarque, Mika, Led Zeppelin e Ventania e a poesia de Leminsky, Martha Medeiros e Vinicius. Assisto de Almodovar a Kubrick, passando, necessariamente, por Tim Burton e Fernando Meirelles.


A literatura brasileira, pra mim, só não é melhor que a inglesa, e sim, sou tremenda fã de Lord Byron.

Não gosto do Lula, mas sou de esquerda. Prefiro ficar quieta a falar besteira (tá, mentira!) e adoro jogar War ou Imagem em Ação com meus amigos.


Sonho em mochilar pela América Latina e comprar uma casa em Itaúnas ou Trancoso.

Hay maioria? Soy contra!


ma che cazzo